O Santo Padre fala sobre o cinquentenário da Renovação Carismática

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A pergunta do jornalista

Muito obrigado, Santo Padre. Este outono foi muito rico em encontros ecuménicos com as Igrejas tradicionais: a Ortodoxa, a Anglicana e, agora, a Luterana. Mas a maioria dos protestantes no mundo de hoje são de tradição evangélica, pentecostal... Ouvi dizer que, na vigília de Pentecostes do próximo ano, terá lugar um evento no Circo Máximo para celebrar o cinquentenário da Renovação Carismática. Em 2014, o Santo Padre esteve envolvido em muitas iniciativas – talvez a primeira vez, para um Papa – com líderes evangélicos. Que resultados tiveram estas iniciativas, e que espera obter da reunião, do encontro do próximo ano? Muito obrigado.

Resposta do Papa Francesco

Com estas iniciativas... Eu diria que participei em dois tipos de iniciativas. Uma quando fui a Caserta à Igreja Carismática e, na mesma linha também, quando, em Turim, fui à Igreja Valdense. Uma iniciativa de reparação e pedido de perdão, porque os católicos… melhor, parte deles, uma parte da Igreja Católica não se comportou bem cristãmente para com eles. E lá havia que pedir perdão e curar uma ferida.
A outra iniciativa foi a do diálogo, e isto já vinha de Buenos Aires. Em Buenos Aires, por exemplo, fizemos três encontros no Luna Park, que tem uma capacidade de 7.000 pessoas. Três encontros de fiéis evangélicos e católicos na linha da Renovação Carismática, mas também aberta. Eram encontros que duravam o dia inteiro: pregava um pastor, um bispo evangélico e pregava um sacerdote católico ou um bispo católico; ou então dois de cada lado, alternando-se. Em dois daqueles encontros – se não mesmo nos três, mas em dois de certeza – pregou o padre Cantalamessa, que é o pregador da Casa Pontifícia.

Penso que isto venha já dos pontificados anteriores e, já desde quando estava em Buenos Aires, fez-nos bem. Tivemos também dois retiros espirituais de três dias com pastores e sacerdotes juntos, pregados também por pastores e por um sacerdote ou um bispo. E isto ajudou muito no diálogo, na compreensão, na aproximação, no trabalho... sobretudo no trabalho com os mais necessitados. Juntos... e no respeito, num grande respeito. Isto a propósito das iniciativas que vinham já de Buenos Aires. Aqui em Roma, tive várias reuniões com pastores… duas ou três. Alguns vieram dos Estados Unidos da América e daqui, da Europa.
Mas aquilo a que o senhor aludia é a celebração que organiza o ICCRS [Internacional Caholic Charismatic Renewal Services]: a celebração do cinquentenário da Renovação Carismática, que nasceu ecuménica e, neste sentido, será uma celebração ecuménica prevista no Circo Máximo. Tenho previsto – se Deus me der vida – ir lá falar. Parece-me que dura dois dias, mas ainda não está organizada. Sei que terá lugar na vigília de Pentecostes, e eu falarei num momento qualquer. A propósito da Renovação Carismática e de Pentecostais: hoje a palavra «pentecostal», a designação «pentecostal» é ambígua, porque se refere a muitas coisas, muitas associações, muitas comunidades eclesiais que não são iguais; antes pelo contrário, são opostas. Assim é preciso ser mais preciso. Por outras palavras, difundiu-se tanto que se tornou um termo ambíguo. No Brasil, onde se espalhou muito, isto é típico.

A Renovação Carismática nasce... e um dos primeiros opositores que teve na Argentina foi este que vos fala. Com efeito, na época em que ela começou na Argentina, eu era provincial dos jesuítas e proibi aos jesuítas que se metessem nela. E disse publicamente que, quando se fazia uma celebração litúrgica, era preciso fazer uma coisa litúrgica e não uma «escola de samba». Disse aquilo; hoje penso o contrário, quando as coisas são bem feitas.
De facto, em Buenos Aires, anualmente, uma vez por ano, tínhamos na Catedral a Missa do Movimento de Renovação Carismática, na qual participavam todos. Por conseguinte também eu vivi um processo de reconhecimento do bem que a Renovação deu à Igreja. E aqui é preciso não esquecer a grande figura do Cardeal Suenens, que teve esta visão profética e ecuménica.



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